Como os ambientalistas pensam: 1. apelo à natureza

Por Leandro Narloch

04/08/2021

Foto: Reprodução/RFI/Nicholas Kamm/ AFP.

Este é o primeiro post da série “Como os ambientalistas pensam”, sobre falácias e vieses que induzem boa parte dos ambientalistas a erros que acabam prejudicando o meio ambiente.

O tema de hoje é o apelo à natureza, o costume de considerar uma coisa melhor porque é natural e outra ruim (e pior para o meio ambiente) por ser artificial.” Vem dessa falácia a sedução dos ambientalistas pelo termo “bio”.

Nassim Taleb diz que o termo “neuro” dá hoje em dia uma aura de maior respeitabilidade a qualquer coisa: neuropsicologia, neuromarketing, por exemplo. O mesmo ocorre com o prefixo “bio”. “Plástico” é ruim, mas “bioplástico” já melhora.

Energia de biomassa ou biodiesel seriam sempre melhores que urânio ou petróleo; alimentos orgânicos seriam mais sustentáveis que os cultivados com fertilizantes e pesticidas. No entanto, boa parte das vezes, o “bio” se refere a coisas que têm um impacto ambiental maior.

Um fogão a lenha emite muito mais partículas sólidas que um fogão a gás; um arranha-céu causa menos impacto ambiental que casas de campo; o biodiesel aumenta a fronteira agrícola, interferindo em florestas. Energia nuclear não é “bio”, mas é de longe a melhor solução para a produção de energia em tempos de aquecimento global. E os pesticidas e fertilizantes nos tornaram capazes de produzir muito mais alimentos em menos espaço.