Como os ambientalistas pensam: 2. falta de nuances

Por Leandro Narloch

14/08/2021.

Foto: Reprodução/Abdülhamid Hoşbaş – Anadolu Agency.

Este é o segundo texto da série “Como os ambientalistas pensam”, sobre os erros de certos ambientalistas que acabam agravando problemas ambientais. O tema de hoje é a falta de nuances.

Ambientalistas costumam condenar uma fonte de energia ou uma atividade sem fazer a pergunta “em comparação a quê?”. Por exemplo, está na moda dizer que bitcoin não é sustentável porque sua mineração gasta mais energia que toda a Argentina.

Mas em comparação a quê? Será que toda a produção, transporte e armazenamento de ouro não gastam uma quantia similar de energia? Ou seja: a vida real tem nuances e trade-offs.

Se um país pode construir usinas hidrelétricas, termoelétricas são uma opção ruim – mas podem ser mais vantajosas onde a alternativa é cortar florestas para se produzir carvão vegetal, como faz o Congo.

Desde os anos 1980, hidrelétricas com reservatórios se tornaram vilãs para ambientalistas, que preferiram as usinas a fio d’água, que não exigem represas e remoção de populações. A dificuldade em construir usinas com reservatórios limitou o potencial hidrelétrico brasileiro.

O resultado é que agora temos que pedir socorro a termelétricas a gás e a diesel, fontes de energia bem piores para o meio ambiente.