Estudo: política de biocombustíveis na Europa desmatou área do tamanho da Holanda

Por Evellyn Lima

31 de agosto de 2021

Foto: Reprodução/Transport & Environment.

Um novo estudo estima que a política de biocombustíveis da União Europeia (UE), a Diretiva de Energia Renovável, é responsável por destruir áreas florestais de tamanho equivalente ao da Holanda, desde 2010.

O estudo foi produzido pela The European Federation for Transport and Environment, também conhecida como Transport & Environment (T&E), uma instituição guarda-chuva de organizações não governamentais com foco em meio ambiente da Europa.

Segundo a T&E, o desmatamento ocorreu principalmente na América do Sul e na Ásia, o que diminuiu mais 10% das terras remanescentes dos orangotangos.

A Diretiva de Energia Renovável, introduzida em 2010, estabeleceu a meta de 10% de energia renovável para o transporte até 2020 para cada país da UE.

“Isso aumentou a demanda por biodiesel de base agrícola barato, como óleo de palma e soja, que é obtido principalmente da Ásia e da América do Sul. É provável que cerca de 4 milhões de hectares de florestas tenham sido destruídos posteriormente”, afirma a T&E.

Outra consequência da política europeia foram as emissões de CO2. Segundo a T&E, a Europa queimou cerca de 39 milhões de toneladas de biodiesel de palma e soja em seus carros e caminhões desde 2010, emitindo até três vezes mais CO2 do que o diesel fóssil que substituiu, por motivos como a mudança do uso do solo e o desmatamento. Para a T&E, a União Europeia precisa eliminar o apoio a todas as plantações de biocombustíveis até 2030.

“10 anos dessa lei de combustíveis ‘verdes’ e o que temos a mostrar? Desmatamento galopante, habitats destruídos e emissões piores do que se tivéssemos usado diesel poluente. Uma política que deveria salvar o planeta está na verdade destruindo-o. Não podemos nos permitir outra década com essa política fracassada. Precisamos quebrar o monopólio dos biocombustíveis no transporte renovável”, afirma Laura Buffet, diretora de energia da T&E.

É por isso que as políticas ambientais não devem ser abraçadas por suas boas intenções, e sim por sua eficiência.