Ferrogrão diminuiria as emissões de CO2 do transporte de commodities

22 de julho de 2021.

Foto: Reprodução/Vale.

Imagine se para viajar você tivesse apenas uma única opção de transporte. Se para você seria ruim, agora pense para quem tem que transportar cargas pesadas.

É algo parecido com o que acontece com os produtores mato-grossenses: cerca de 70% do escoamento de suas safras de soja e milho é feito por portos do centro-sul, a mais de 2 mil km de distância.

“Quando crescem as safras de soja e milho, as infraestruturas do centro-sul não conseguem acompanhar o ritmo do crescimento das safras. O que está acontecendo é um colapso da infraestrutura”, explica o engenheiro de transportes Eliezé Bulhões, que também faz parte da equipe do Ministério da Economia.

A Ferrogrão é uma estrada de ferro projetada para passar pela mesma área onde já existem as estradas usadas pelos caminhões cargueiros que transportam essas commodities do Mato Grosso. A ferrovia ficaria entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).

E apesar da preocupação justa com o meio ambiente em relação à Ferrogrão, pois ela seria construída no bioma amazônico, há ganho ambiental: a diminuição da emissão de carbono.

Enquanto o trem tem emissão média de 23 g/tkm (gramas por tonelada-quilômetro) de CO2, o caminhão emite 67 g/tkm para cima, 139 g/tkm se tiver entre 20 e 26 toneladas, por exemplo. Os dados são do livro “Nem Negacionismo Nem Apocalipse – Economia Do Meio Ambiente: Uma Perspectiva Brasileira”, de Gesner Oliveira e Artur Ferreira.

Cabe notar: enquanto o Brasil transporta apenas 15% das cargas pesadas por trem (e 65% por transporte rodoviário), a Rússia transporta 81%; Canadá, 46%; e Estados Unidos, 43%. Esses dados são do Ministério da Infraestrutura, também divulgados no livro de Oliveira e Ferreira.

Além disso, quem bancaria a Ferrogrão, hoje avaliada em R$ 12 bilhões, seria a iniciativa privada, com prazo de concessão de 69 anos. A estimativa do Ministério da Infraestrutura é que a Ferrogrão poderia diminuir entre 30% e 40% dos preços dos fretes. Mas não apenas o agronegócio seria beneficiado, o meio ambiente também. A questão é se o projeto será bem executado, sem esquemas obscuros, respeitando as normas ambientais e os povos indígenas da área.