Tarifaço de energia: o Brasil na era das trevas

Por Evellyn Lima

2 de setembro de 2021

Foto: Freepik/Jannoon028.

O Brasil tinha tudo para ser o país do futuro na geração de energia. Mas, desde ontem (01/09), o brasileiro passou a pagar R$ 14,20 a mais a cada 100 kW/h de energia consumida.

Essa é a política do tarifaço, do governo federal. Quem não quiser pagar uma conta de luz absurda terá que intercalar o uso da energia com a escuridão.

Vivemos a pior crise hídrica da nossa história dos últimos 91 anos. Com a energia majoritariamente dependente das hidrelétricas, e fazendo uso de hidrelétricas a fio d’água, que contam com reservatórios menores e mais vulneráveis à seca, o cenário de hoje não era tão imprevisível assim.

Poderia ser diferente. O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo, o combustível da energia nuclear.

Ela é altamente produtiva e livre de carbono, mais segura que as fontes comuns e pode abastecer grandes áreas sem nenhum problema (ou sem inundar áreas que deveriam ser preservadas, como acontece com as hidrelétricas convencionais).

Mas, uma sucessão de erros do estado brasileiro impede os cidadãos de aproveitarem essa fonte. O primeiro, foi não terminar a usina de Angra 3, que teve sua construção iniciada em 1984.

O segundo, foi o monopólio estatal da energia nuclear estabelecido na Constituição. O terceiro, foi manter tudo como está. O quarto, foi o jabuti da privatização da Eletrobras que reservou 15 anos de mercado para a energia termelétrica movida a gás, 40 vezes mais mortífera que a energia nuclear.

Ou o governo faz uma PEC liberando a exploração privada da energia nuclear no Brasil, dando mais opções aos consumidores e aliviando a poluição que as termelétricas a gás devem adicionar à atmosfera, ou a população continuará presa ao escuro e ao passado.